1990
O caminho que não tinha volta.
Florianópolis, Norte da Ilha. Uma ruela de terra batida, o som do mar ao longe e um objetivo simples: chegar até a Praia do Moçambique e surfar as ondas que todo mundo falava.
O caminho acabou antes do mar. A areia fina venceu o motor. O carro atolou, o guincho não existia e o celular também não. Restou uma opção: acampar ali mesmo e esperar o amanhecer.
Quando a noite fechou e a mata silenciou tudo, o céu apareceu. Isolado do mundo e das urgências, Marcus Moratti olhou para cima e viu o que a rotina não deixa ver — um céu estrelado, imenso, deslumbrante. Ali, naquele atoleiro involuntário no fim de uma estrada de terra, entendeu pela primeira vez o verdadeiro significado de conexão.